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Estamos enfrentando um desafio completamente novo atualmente: a imposição do isolamento para deter a proliferação do COVID-19. Um ensaio por um período ainda imprevisível, mas uma constante na equação é a arquitetura.

Com o avanço do capitalismo a partir da década de 50, a arquitetura da “densidade” foi ganhando forma e força. Sendo moldada principalmente para cuidar de nossos próprios negócios.

Arranha-céus passaram a surgir, e o status por exemplo de ser proprietário de uma cobertura duplex com uma bela vista, passou a ser simbolismo de poder, de bem sucedido, de algo consideravelmente “bom”.

Muito antes da pandemia aparecer mundialmente, já tínhamos a problemática da verticalização e do isolamento.

Me recordo perfeitamente de durante a infância jogar queimado nas ruas de pouco movimento do bairro, do pião nas vielas de barro e do pingue-pong improvisado com uma porta de madeira velha sobre uma mesa de plástico. As mães conversando na soleira de casa e do chamado para voltar para casa da varanda. Hoje, no mesmo bairro o pião foi extinto, o pingue-pong e o queimado substituídos pelo celular e as soleiras gradeadas pelos moradores.

A arquitetura tem o dever de unir as pessoas e construir espaços que retratem essas conexões esquecidas no tempo, onde o foco era acomodar e não a convivência.
A arquitetura tem o poder de moldar o comportamento, e em condições extremas isso fica ainda mais evidente. Como o atentado em 2001 ao World Trade Center em New York, que evidenciou a importância de maior segurança. Em 2020 após superarmos o COVID-19, acredito que a necessidade de um maior senso de comunidade será o foco principal.

A densidade não é o problema, e sim a forma como trabalhamos ela. E a arquitetura pode revitalizar comunidades e torná-las mais vivas. Um aglomerado de quarteirões abrigando milhares de pessoas pode sim se assemelhar a uma vizinhança.

Algo que precisamos equilibrar nessa pandemia é a solidão e a depressão e buscar a superação social. Repensar as estratégias da luz, e do ar, as sensações do espaço, e principalmente a segurança de um local comum que possa se compartilhar experiências com o outro.

À medida que a situação do COVID-19 se desenvolve, é fato que devemos pensar em novos métodos de organizar nossos lares em nossas cidades cada vez mais densas, de forma que possamos apreciar a privacidade individual enquanto reconhecemos nossos vizinhos. Esses são só alguns aspectos que um projeto eficiente deverá ter futuramente, um design que atenda as nossas prioridades, direitos e instintos humanos, voltados ao coletivo e consequentemente, ao bem comum.

Enquanto a cada dia aprendemos ainda mais sobre o Coronavírus, perdura o questionamento: Qual será o impacto na sociedade futuramente? Que impressão permanecerá em nossa memória coletiva e como isso irá nos transformar?

 

FONT: ARCHDAILY

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